quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Planificaram-me, fizeram-me do barro.
Alma, alguém se enganou e a trocou. Trocistas me delinearam, imposição da inquetude.
Caio e torno a tombar, revestiram-me de aço.
Não quero outra alma é verdade, inadaptação, talvez rejeição.
Não saberia viver de outra forma.
Lágrimas secaram, que adianta esquartejar o infinito se me tornei num buraco negro.
Condição de ser, sinto-me feliz.
Mas o ser não basta, há que lutar e beijar a paz que se avista.
Fizeram-me do barro, quando na verdade sou de porcelana.
26 Janeiro 2010

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Rasgos de pensamentos, brotam como cogumelos.
Dançam e brincam entre os espaços vazios do meu cérebro.
Corpo que quebra impotente, calma profunda, estado Zen.
Memórias ensanguentadas, cobrem tudo.
Fechar de olhos, dormência abstracta.
Emito sons, mudos, outros ocos que são prependiculares a um vazio.
Acordo no nada, peso que suporto.
Que é de mim?
Diluído nas gotas da chuva, arrasto-me no infinito.
Onde vais? - Perguntam-me num tom ordinário.
Sei lá, sei que vou onde tiver que ir, embora saiba que o retorno de mim não mais voltará.
15 de Janeiro de 2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Pensamento vago, escorre entre as frestas de uma goteira.
Plin, plin, plin.
Corpo que se contorce, solta-se um ai. Acende e apaga a luz, visões nocturnas.
Sai do armário um hálito quente, toca o corpo.
Sente-se a diversão afiar a língua, acto contínuo de prazer.
Todavia, rompe-se o fio condutor de um sonho.
Manjar de excitação, términus num acto solitário.
Tal qual o de uma puta, tanto prazer experimentou.
Nenhum a alma lhe tocou.
Jorrar de água na janela, a noite que brotou devagar entre lençóis.
O luar que cheira a jasmim, nárcisos.
Pecado com sabor a solidão, drama que compõe um soneto.
Atirado janela fora, agarra-o. A maldita puta que tem como fado despir e fazer sair o prazer da solidão.
Sendo ela a mais só dos seres...
06 Janeiro de 2010
Ausência de mim, pensamento que aperta o esgueirar de mais um amanhecer.
Longos são os braços que me tocam, inquetitude demorada. Talvez pausada, carente de um espreguiçar.
Apartai-vos vós que pecais, não querendo injúrias, maus agoiros esqueço o que já esqueci.
Quem me dera, ser a chuva que lambe o céu e rasga o céu.
Dor que se sente, paz que invade.
Horas mortas batem no relógio, acto contínuo de ver a vida desfilar.
Anoréctica, parca quando deveria ser farta de prazeres.
Castigo à carne, não pensa mas teima em filosofar em bocas tão desertas de calor.
Onde estou? Não sei que fazer, mudaram o cenário, o elenco.
Nada se fará, deixai que anoiteça e aí gemer-se-á de loucura pela máscara que caiu e o corpo que se abriu.
31 Dezembro de 2009
Quem és?
Tu que me olhas do outro lado da janela, teu rosto meio triste, olhos bem abertos.
Que queres de mim?
Deixai-me estar, não vês que carrego a dor.
Não sorris, não falas.
Olhas-me somente, olhar meio perdido no nada.
Silêncio que impera, vontade de te bater.
Vem daí, conta-me que te vai na alma.
Mantens-te nesse olhar, deixo-te estar. As tuas pupilas dilatam-se, que pensas?
Uma lágrima corre, segue livre em direcção ao abismo de morrer no chão.
Penumbra que nos ilumina, mexes os lábios; pergunto mais uma vez quem és?.
Ao que respondes: Eu sou tu!
21 Novembro de 2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tenho muitas faces, facetas, sensos-comuns.
Poderei ser a dançarina de um cabaret, a puta mais reles. Quem sabe a lua que banha e se envolve na noite.
Perdi a noção da deixa que me deixaram, improviso sei-o bem.
Desfolha-me e em cada pétala que tocares, terás dor, paixão, sorriso, solidão...
Se pensas que sou o que sou, enganas-te, serei o que não pensaste somente e tão pouco quando deverias pensar que sou.
Olha para mim, abre-me a alma, tanta gente a despreza.
Tu, sim tu. Tocas-te, desencadeaste o mais profundo do meu eu.
Eu camuflado de arrogância, aspereza no falar.
Foi quando te deitaste nas minhas palavras, que eu soube me despir. Não tive dor, medo de estar nu.
Nudez frágil, sensível...
Quem eu sou?
Não o digas a ninguém...
18 Novembro 2009

domingo, 15 de novembro de 2009

Confesso, peco ao tentar beijar a loucura que transporto.
Fico absorto, devaneios que palpitam o meu corpo.
Abate-se em mim um estranho sentir, querer o exílio num exíguo espaço.
O confessionário não tem Deus, quem me ouve é algo transcendente.
Rasgo a roupa, sensação de paz. O fumo de mais um cigarro passeia em mim.
A meia haste grito. Não de prazer, desejo.
Talvez porque me apetece, não sei.
Medo, muito medo. Deixem-me na condição desenfreada e atónita do orgasmo.
Paradoxo que salta, deixo-me cair.
A portilhona fecha-se, terminou o início: Eu confesso.
Será minha penitencia, tão só minha fornicar com a insanidade quando amor poderia fazer.
13 de Novembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Se pudesse, ter-te-ia sugado a alma num sopro.
Hoje em leves tragos saboreei teu corpo.
Entre os dedos escapaste, um rasto de loucura pulverizou o meu olhar.
Entre um grito e um soluço, o mundo girou. Veio tombar em minhas mãos, não aguentei tamanho peso.
Caí no infinito, perdi-me na negrura.
Talvez por não falar de cor, o coração fraquejou.
Jorraram palavras, subtis dizeres amanhados por uma língua sedenta.
Mais uma vez, tantas outras iguais, um pouco de mim cedeu.
Que eu seja a estátua grega, pálida, leve no sentir.
Gélido olhar mostrarei, mantendo os átomos da anatomia do que foi um coração nas mãos.
Estagnei, sem saber bem o porquê, ainda te escrevo.
Os olhos não vêem, mas os dedos teimam em falar.
Amar, amar que nem um louco, tão louco já o sou.
Ultrapassei o patamar da insanidade, não faz mal.
Tão louco é aquele que ama, quanto o que a cura deseja.
22 Setembro 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Tenho medo do escuro, da solidão, da dor de estar só.
Fechado, vejo o tempo escoar entre a aresta do tic-tac.
Choro avulso, tragam o medidor, não deixem-me estar.
Despido toco a pele enrugada, o frio cortante gela-me.
Estou a um canto redondo, fumo e fumo.
A manhã está longe, o silêncio impera.
Corpo que treme, a mão procura o prazer.
Jorra o êxtase, por momentos voo entre nuvens.
De novo, a puta realidade.
Germina uma ansiedade no peito, termino por falecer no duro chão.
Olham-me, desprezam-me.
Nada sou a não ser o horrível fim de uma cena rasca.
25 Agosto
Alma, oh alma minha. Diz-me que sentir é este: agoniante, por vezes cortante ao lacrimejar. Não sei o que queres de mim, bem que tento alimentar-te.
Ai, a minha alma entregou-se ao sublime luar.
Labaredas circundam o meu ser, vem leve brisa.
Apaga este ardor, salva o que resta deste pobre pecador.
Deambulo entre o purgatório e o abismo da sobriedade.
Que alma esta, sentada descruza as pernas, deixa que a tristeza a penetre, de forma violenta.
Vezes em que se sente prazer, outras um nada.
Traz-me debaixo do braço, outras deixa-me só no vazio. Penso e penso que alma me deram.
20 de Setembro

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Olá, está aí alguém?
Nada nem ninguém, somente o ranger de algo que teima em se manifestar.
Aconchego-me à vontade de falar, gemer, sei lá.
Vazio cortante, penumbra que veste quatro paredes.
Respiração que vai esmorecendo, medo muito medo.
Tal qual uma criança, brinco com as palavras.
Deixaram-me num canto, solidão que me acaricia.
Despojo-me de chorar, que adianta?
Tremura, canto, tento espantar a saudade.
Fechar de olhos, abrir do coração.
Deixo-me embalar, alguém canta, ou serei eu que ouço?
Posição de feto, adormece o cérebro. Morre a noite em meus braços, juntos partimos para um plano paradoxal ao que estamos.
Olá, estou aqui.

02 de Agosto de 2009
Na manhã da vida perguntava o porquê do porquê?
Hoje num final de tarde, o sol descai na planície que se formou.
Limito-me a prenunciar que o porquê é uma condição, não tem acção apenas uma imposição.
Grave e sublime pensar, no fingir que teimo passar.
Não quero o condicional do limite, desejo explodir em fragmentos do ser.
Livre como o espaço entre duas palavras.
Teço finos versos, teias que entrelaçam os olhares.
Avista-se a noite, magra e sedenta do conhecer.
Suspiro que salta da boca, beijo entabaloado numa rima ordinária.
Tens o saber do meu ser.
Cultiva-me, faz-me crer que a noite trará a lucidez e não a embriaguez do porquê quando me perguntarem o porquê de não te ter.


28 de Julho de 2009
Intenso prazer, sai-me das mãos.
Jorra num acto contínuo, gemer silêncio.
Vem o vazio, nudez envergonhada.
Falta o toque, numa palavra de carinho.
Fumar neste momento iria defumar o meu ser.
Beijo a noite, lavo-me em rosas.
Corpo que estremece, eleva-se mais um clímax.
Deixo-me adivinhar entre o prazer e a saudade do que podia ter.


25 de Julho de 2009
Desabrocha da boca um lírio, seria de esperar um beijo: ardente, embora fugaz, talvez lambido pelo desejo.
O beijo não houve, leve brisa rompeu o acto.
Mãos que tremem, levam lágrimas aos olhos, espelho da ansiedade, grotesca ambição de um leve roçar.
Múrmurios, lamentares, pesares pendurados em paralelo juntam-se a palavras.
Obtusas, velozes e certeiras.
Pisam e empurram sem sequer pensar que alguém as arrancou.
Teria tanto para dizer, embora este sentir não se traduza. É fictício para todos os que vêm.
Restam os pesados minutos, orgasmos reprimidos aquando tua pele toquei.
Secura, não quero beber a não ser teu corpo. Paro de escrever, chorarei num cigarro.


23 de Julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Que importa os sonhos perdidos, vida esquecida, olhar preso no monte.
A voz estremecida algures entre a margem do rio, pensando no início nada sei.
O borrão desbotou lágrimas, esconderam-nas.
A dignidade outrora perdeu-se entre um abrir de pernas.
Sem conexão, este pensar não terá lugar entre os dizeres populares.
Sou o que foste, serei o que não quiseste.
Lavo os sonhos, despejo a vontade.
Soltem-se as vicissitudes da vida, efermidades de trazer numa alcova.
Que importa, nada e somente nada.
Quis eu ter a cura da loucura, encontrei-a.
Preferi ser em acto contínuo o louco, estar sóbrio de mim iria fazer com que matasse a vontade de amar.


14 de Julho 2009