quinta-feira, 26 de junho de 2008

Dispo o relógio de horas, tacteio o ar em busca do último do cigarro que fumei.
Folheio o livro que nunca irei ler, ponho o rádio a tocar.
A luz encontra-se a meia medida, a lua rebenta no imenso pano negro que se ergue sob o tecto.
Quis a vontade que a razão e a consciência tirassem férias.
Sinto-me como que perdido na inexistência do saber e ser.
Tomo pequenas porções da acção e sentido, não me faz efeito.
Tombo que nem um bêbedo em busca de mais um copo de vinho.
As palavras jorram de forma animalesca, os gestos desconcertados são tudo menos sinais.
Não sei que fazer, os dedos brincam com um cigarro que me pergunta se o vou fumar ou não.
Olho-o com um ponto de interrogação, respondo com um ponto e vírgula.
Ao longe ouço, não distingo o quê.
Sento-me no chão, desenho o sol e a lua.
Numa das extremidades inicio o que poderia chamar de prosa.
Atiro com o lápis contra a parede, desfaz-se ao meio.
Deito-me, ronda a cabeça, o corpo.
Sinto-me como que no meio de um tornado.
Solta-se uma lágrima, os dedos arranham o chão.
Sentir tão estranho, não tomo mais porções.
Estarei lúcido aquando o que perdi voltar.
Não sei quando será, não tenho interesse em sabe-lo.
Rasgo a roupa, roço no peito o carvão do lápis.
Caracteres desenho, sinto-me bem.
Se enlouqueci, perguntarás tu.
Não sei, mas que a loucura é doce como o mel e livre como a carta de alforria isso é.
Loucura que se estende em cima de mim.
Comigo amor faz, leva-me a um estado zen tal que o meu corpo fica rijo.
Deixo-me estar, quero gozar o doce clímax.
Deixem-me para sempre neste estado, não quero ver a realidade.
Escondam a razão e a consciência num baú.
Apenas quero que o amor me encontre e me resgate.
Me trate como um príncipe, me tire a virgindade de ser louco por um dia.
Que me entre nas entranhas e me devore com desejo.
Os ponteiros chamam por mim.
Finjo que não ouço, dou-lhes um beijo de boa noite.
Peço que durmam em paz. Esta noite serei o doido que desce até ao inferno de Dante para renascer com a Fénix.

26 Junho 23h56

2 comentários:

Anónimo disse...

será a loucura um estado permanente?
ou seja, haverá alguém lucido neste inferno?

ZAPper

Bruno...cibernáutico! disse...

Aproveitando para agradecer a mensagem de ontem...e felicitando-te por, finalmente, partilhares com todos o quanto e quão bem escreves, segue apenas o que seria de esperar....continua! I'll keep passing by...