terça-feira, 30 de setembro de 2008

Estenda-se a toalha bordada na mesa do manjar.
Tocará o sino, corram.
Finos raios quebram a brancura, dão-lhe um toque sublime.
A mão que a tocará, dirá a verdade.
Quem não tem nada a dizer que se cale para o todo sempre.
Vem a criança esfomeada, reclama a união do cheiro que invade o soalho.
Não calem o inocente, coitadinho.
O chocalhar dos talheres será a banda que tocará.
Sento-me, estou só.
A brancura deu lugar ao vazio.
Já não penetram os raios de sol, agora é a mão nocturna que tacteia na lânguidez.
Toco o sino, mudo grunhe, tons que desconheço.
Puxo a toalha, curta e áspera.
Enxugo o soalho que derrama saudade.
Saudade do tempo que fora beijado. Mesmo por pesados pés.
Caminho até à janela, sacudo a toalha.
Deito fora os verbos que compõem este poema, recolho-me por entre a persiana.
Recolho a dor e estendo a reticência de te amar na cama que me irá abraçar.
29 Setembro 2008